quinta-feira, 8 de março de 2012


Rússia acusa Líbia de treinar rebeldes sírios

NOVA YORK, EUA, 7 Mar 2012 (AFP) -O embaixador russo nas Nações Unidas acusou nesta quarta-feira o governo líbio de abrigar um campo de treinamento para rebeldes sírios que realizam ações contra o regime em Damasco. "Recebemos informação de que existe na Líbia, com pleno apoio de suas autoridades, um centro de treinamento especial para rebeldes sírios, que são enviados para atacar o governo legítimo" de Bashar al Assad, disse o embaixador Vitali Churkin durante reunião do Conselho de Segurança dedicada à Líbia.
"Isto é completamente inaceitável diante de todas as normas legais. Esta atividade está minando a estabilidade no Oriente Médio", afirmou Churkin durante a reunião do Conselho de Segurança.
"Acreditamos que a (rede terrorista) Al-Qaeda está na Síria e agora perguntamos: esta exportação da revolução não se tornou a exportação do terrorismo"?
Churkin também voltou a exigir da Otan desculpas pelas mortes de civis provocadas na Líbia no ano passado, durante as operações aéreas da Aliança para apoiar os rebeldes contra as tropas do então regime de Muammar Kadhafi.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Curiosos madrugam na fila para assistir ao júri do caso Eloá
13 de fevereiro de 2012 • 08h18 • atualizado às 17h10

Acusado da morte de Eloá Pimentel, Lindemberg Alves chega no Fórum de Santo André para seu julgamento . Foto: Diogo Moreira/Futura Press Acusado da morte de Eloá Pimentel, Lindemberg Alves chega no Fórum de Santo André para seu julgamento
Foto: Diogo Moreira/Futura Press
Marina Novaes
Vagner Magalhães
Direto de Santo André
Chegou ao Fórum de Santo André, no ABC Paulista, às 8h11, Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, então com 15 anos, em 2008, após mantê-la por 101 horas em cárcere privado. Ele entrou pelos fundos. Filas se acumulam desde a noite de ontem para acompanhar o júri popular, previsto para ter início às 9h. A expectativa é que a sentença saia em até quatro dias.
Relembre o cárcere privado mais longo do Estado de São Paulo
Curiosos e familiares de vítimas de violência acordaram cedo para garantir um lugar no plenário do Fórum de Santo André. Cerca de 50 pessoas aguardam na chuva para assistir ao julgamento, entre elas, o estudante de direito Thiago Badan, 32 anos, que chegou à meia-noite para ficar em primeiro na fila e arrisca um palpite sobre o desfecho do caso. "Acho que a população já o condenou, é muito difícil que ele não seja condenado pelo Tribunal, se já foi condenado pela sociedade", disse.
Também aguardava na fila para assistir ao julgamento Marta Consoli, mãe da estudante Bianca, 19 anos, assassinada há cinco meses. Ela e a fila Daiana, ex-mulher do acusado de matar a irmã, Sandro Dota, estavam desde as 7h do lado de fora do fórum para prestar solidariedade à mãe de Eloá.
"Eu vim prestar minha solidariedade à mãe da Eloá. Perder um filho é uma dor que nunca passa. E também, vim para preparar o meu coração para o julgamento do assassino da minha filha", afirmou.
O julgamento de Lindemberg deve durar cerca de três dias e ele pode pegar até 100 anos de prisão, se condenado.
O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.
Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.
Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Copom acelera ritmo de corte e juro cai para 9,75% ao ano, em um dígito

Maior parte dos economistas acreditava em corte menor: para 10% ao ano.
Segundo analistas, 'guerra cambial' e PIB fraco estimularam corte mais forte.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (7) e decidiu baixar a taxa básica de juros da economia brasileira de 10,5% ao ano para 9,75% ao ano, um corte de 0,75 ponto percentual. Trata-se da maior redução de juros desde junho de 2009.
Selic 9,75% - março 2012 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Com a decisão, a autoridade monetária acelerou o processo de redução da taxa Selic, iniciado em agosto do ano passado. Desde aquele mês, os juros haviam recuado em quatro reuniões consecutivas, na intensidade de 0,5 ponto percentual por encontro. A redução desta semana foi a quinta seguida, baixando os juros ao menor patamar desde meados de 2010.
Sem unanimidade
A decisão, porém, não foi unânime. Cinco diretores votaram pelo corte de 0,75 ponto percentual, mas outros dois integrantes do Copom queriam uma redução menor, de 0,5 ponto percentual.
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p".
Expectativa do mercado
A definição do Banco Central, porém, surpreendeu a maior parte dos analistas do mercado financeiro, que acreditava, segundo pesquisa conduzida pela própria autoridade monetária, em um corte de 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira, para 10% ao ano.
Uma redução maior, para 9,75% ao ano, porém, já estava "precificada" (jargão financeiro) pelos bancos no mercado futuro. A aposta majoritária, no mercado de juros futuros, era de uma queda de 0,75 ponto percentual nesta semana.
Juro em um dígito
Com o corte promovido nesta quarta-feira, o juro básico da economia retornou ao patamar de um dígito (abaixo de 10% ao ano), que havia sido registrado entre junho de 2009 e o mesmo mês de 2010.
A discussão sobre a capacidade de o Brasil ter uma taxa de juros abaixo de 10% ao ano, em linha com economias mais desenvolvidas, permeou o debate econômico no passado. A taxa, porém, foi atingida pela primeira vez somente em 2009, quando o BC afrouxou a política de juros para combater os efeitos da crise financeira. Em meados de 2010, porém, para conter a alta da inflação, os juros voltaram a subir para o patamar de dois dígitos.
Recentemente, o Banco Central avaliou que havia "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito", mas não informou quando isso poderia acontecer. Segundo o Copom, ocorreram "mudanças estruturais significativas" na economia brasileira, que determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em particular, na chamada "taxa neutra" (que teoricamente evitaria a inflação e, também, o desemprego).
Taxa real mais alta de 40 países
Mesmo acelerando o ritmo de corte dos juros e baixando-os para um patamar abaixo de 10% ao ano, a taxa de juros real brasileira (após o abatimento da inflação esperada para os próximos 12 meses) ainda é a mais alta de 40 países pesquisados - o que contribui para atrair capitais.
Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais estão, atualmente, após o corte de 0,75 ponto percentual na Selic, em cerca de 4,2% ao ano, acima do segundo colocado (Rússia, com 3,4% ao ano). A taxa média de juros de 40 países pesquisados está negativa em 0,7% ao ano.
Crise financeira, guerra cambial e PIB fraco
De acordo com economistas, uma série de fatores possibilitou ao Banco Central prosseguir baixando os juros neste mês. A avaliação do mercado financeiro é de que a crise financeira internacional, que impacta para baixo o nível de atividade da economia brasileira e mundial, juntamente com o recuo dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional), tendem a gerar menos pressões inflacionárias no Brasil – possibilitando a continuidade dos cortes nos juros por parte do BC.
Além disso, "guerra cambial" em curso, com a injeção de quase R$ 9 trilhões nos mercados financeiros por parte dos BCs dos países mais desenvolvidos (Estados Unidos e Europa principalmente) nos últimos três anos, o que foi apelidado de "tsunami monetário" pela presidente Dilma Rousseff, é um fator que pressionou o Banco Central brasileiro a acelerar o ritmo de corte dos juros. Somente na última semana, o Banco Central Europeu colocou no mercado US$ 712 bilhões em empréstimos de longo prazo. Em dezembro do ano passado, outros US$ 658 bilhões já tinham sido colocados em mercado.
A explicação é que parte destes recursos buscaria as economias emergentes, como o Brasil, que possuem juros elevados (gerando retorno financeiro maior para os investidores) e ainda registram um crescimento econômico um pouco mais elevado. Com juros mais baixos, os economistas explicam que poderia haver um ingresso menor de recursos na economia brasileira e que, consequentemente, isso poderia aliviar a pressão pela queda do dólar – fator que barateia as importações e torna as vendas externas brasileiras mais caras, minando, assim, a competitividade da produção nacional.
Outro indicador que também pressionou o Banco Central a intensificar o processo de redução dos juros, segundo analistas, foi o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. Mesmo com a inflação ficando em 6,50% no ano passado, no teto do sistema de metas, o crescimento da economia somou 2,7%. Se for excluído o ano de 2009, quando o PIB recuou 0,6% por conta da primeira etapa da crise financeira internacional, foi a menor expansão desde 2003 (+1,1% de crescimento).