sábado, 16 de março de 2013
Entenda a complexa relação entre o papa e os Kirchner
Entenda a complexa relação entre o papa e os Kirchner 
O conflito entre o governo argentino e o setor agrícola do país, em 2008, e a aprovação do casamento gay, em 2010, foram marcos na deterioração da relação do agora papa e da Presidência de Cristina Kirchner.
Mas a tensão entre o kirchnerismo e o então cardeal Jorge Mario Bergoglio já havia germinado anos antes, durante o mandato do ex-presidente Néstor Kirchner.
Sabe-se que Cristina e o papa Francisco não são os melhores amigos. Bergoglio, que por seis anos foi presidente da Conferência Episcopal Argentina, criticou abertamente muitas das decisões políticas da presidente.
Essa tensão chegou ao ápice à época da aprovação, em 2010, do casamento homossexual na Argentina, mas as diferenças vêm desde antes disso.
Néstor Kirchner, morto em 2010, chegou a chamar Bergoglio de 'chefe espiritual da oposição política'.
O distanciamento começou um ano depois da chegada de Kirchner ao poder, em 2003. Em um de seus sermões, Bergoglio questionou 'o exibicionismo e os anúncios estridentes dos governantes', em mensagem que, ainda que não o citasse, parecia dirigida ao então presidente.
Em 2005, Kirchner anunciou que não participaria da tradicional celebração de 25 de maio na Catedral de Buenos Aires (data em que se comemora o início do governo independente da Espanha, a partir de 1810).
Meses depois, um porta-voz de Bergoglio anunciou: 'não há relação da Igreja com o governo'.
Desde então, esses laços estremeceram, agravados pelo fato de Kirchner acreditar que Bergoglio articulava um projeto oposicionista.
Catedral e críticas
Com a chegada de Cristina à Presidência, em 2007, a celebração de 25 de maio serviu novamente de termômetro do grau de estranhamento entre Bergoglio e o governo.
A correspondente da BBC Mundo na Argentina, Veronica Smink, explica que Cristina sempre evita ir à Catedral de Buenos Aires para não ter de escutar as críticas de Bergoglio sobre a pobreza e a desigualdade.
Mas não são essas as principais causas do estranhamento entre os dois. Em março de 2008, poucos meses após sua posse, Cristina apresentou a resolução 125, mudando regras para exportação de algumas commodities e desatou uma das piores crises de seu governo - provocando greves e bloqueio de vias em apoio ao setor agrícola.
BBC Brasil
"Os Kirchner e Bergoglio em foto de arquivo"
A resolução acabou sendo derrubada com voto do então vice-presidente Julio Cobos, no Senado.
Na época, Bergoglio se alinhou com os produtores agrícolas e chegou a pedir 'um gesto de grandeza' da presidente, para pôr fim ao conflito. Também se reuniu com Cobos, que acabou rompendo com Cristina.
Para o sociólogo Juan Nicolás, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, 'o gesto de Bergoglio marcou o que seria a relação do Episcopado com o Governo, principalmente se levarmos em conta que o governo de Cristina havia acabado de começar'.
Desavenças em temas sociais
O governo e o cardeal superaram os altos e baixos, mas a relação não chegou a se normalizar. E voltou a piorar com o projeto de casamento entre pessoas do mesmo sexo, em julho de 2010.
A uma semana da aprovação do projeto, Bergoglio escreveu uma carta criticando duramente a iniciativa. 'Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política; é a pretensão destrutiva ao plano de Deus. Não se trata de um mero projeto legislativo (este é apenas o instrumento), mas sim de uma (...) mentira que pretende confundir e enganar os filhos de Deus', dizia a carta.
Cristina respondeu se dizendo 'preocupada com o tom do discurso' de Bergoglio e alegando que o projeto visava lidar 'com uma realidade que já existe'.
Assim que soube da eleição de Bergoglio como papa, especulou-se qual seria a reação de Cristina. Esta, pelo Twitter, divulgou uma carta cordial, 'saudando e expressando felicidades' pela escolha do pontífice.
Acredita-se que, apesar do tom frio da mensagem, o fato de Cristina ter confirmado sua presença na primeira missa solene do papa Francisco, no Vaticano, seja significativo para a distensão entre os dois.
O sociólogo Juan Nicolás concorda e opina que a presença de Cristina na praça São Pedro possa servir para a aproximação de seu governo com o Vaticano.
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Bachelet entrega o cargo de diretora-executiva da ONU Mulheres
Atualizado: 15/03/2013 20:23 | Por EFE Brasil, EFE Multimedia
Bachelet entrega o cargo de diretora-executiva da ONU Mulheres
Nações Unidas, 15 mar (EFE).- A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, anunciou nesta sexta-feira que entregou o cargo e está voltando ao seu país, mas não esclareceu se concorrerá às próximas eleições presidenciais chilenas.
O anúncio aconteceu logo após a conclusão da sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Status Jurídico da Mulher (CSW, na sigla em inglês).
'Agora uma nota pessoal. Esta é minha última CSW. Retornarei ao meu país', afirmou Bachelet no discurso com o qual encerrou duas semanas de reuniões, e antes de agradecer aos delegados por seu 'compromisso e generosidade'.
Bachelet, de 61 anos, foi presidente chilena entre 2006 e 2010, e é diretora-executiva da ONU Mulheres há pouco mais de dois anos. Durante seu discurso, não detalhou seu futuro imediato, mas são grandes as chances de sair candidata nas eleições presidenciais de novembro.
Logo depois, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, emitiu um comunicado no qual expressou sua 'tremenda gratidão' pelo 'serviço extraordinário' de Bachelet à frente desta agência da ONU, que agrupou sob sua direção vários organismos que existiam previamente.
Ban destacou no comunicado que sua 'liderança visionária deu à ONU Mulheres o começo dinâmico que necessitava', ressaltando ainda que 'seu arrojo' na defesa dos direitos das mulheres 'aumentou o perfil global deste assunto-chave'. EFE
rcf/pa
Copyright (c) Agencia EFE, S.A. 2010, todos os direitos reservados
Bachelet entrega o cargo de diretora-executiva da ONU Mulheres
Nações Unidas, 15 mar (EFE).- A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, anunciou nesta sexta-feira que entregou o cargo e está voltando ao seu país, mas não esclareceu se concorrerá às próximas eleições presidenciais chilenas.
O anúncio aconteceu logo após a conclusão da sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Status Jurídico da Mulher (CSW, na sigla em inglês).
'Agora uma nota pessoal. Esta é minha última CSW. Retornarei ao meu país', afirmou Bachelet no discurso com o qual encerrou duas semanas de reuniões, e antes de agradecer aos delegados por seu 'compromisso e generosidade'.
Bachelet, de 61 anos, foi presidente chilena entre 2006 e 2010, e é diretora-executiva da ONU Mulheres há pouco mais de dois anos. Durante seu discurso, não detalhou seu futuro imediato, mas são grandes as chances de sair candidata nas eleições presidenciais de novembro.
Logo depois, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, emitiu um comunicado no qual expressou sua 'tremenda gratidão' pelo 'serviço extraordinário' de Bachelet à frente desta agência da ONU, que agrupou sob sua direção vários organismos que existiam previamente.
Ban destacou no comunicado que sua 'liderança visionária deu à ONU Mulheres o começo dinâmico que necessitava', ressaltando ainda que 'seu arrojo' na defesa dos direitos das mulheres 'aumentou o perfil global deste assunto-chave'. EFE
rcf/pa
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Petrobras investirá US$236,7 bi até 2017, com foco em produção
Atualizado: 15/03/2013 19:44 | Por Reuters, Reuters
Petrobras investirá US$236,7 bi até 2017, com foco em produção
Por Roberto Samora e Sabrina Lorenzi
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 15 Mar (Reuters) - A Petrobras elevou em apenas 200 milhões de dólares os investimentos que fará entre 2013 e 2017, de acordo com o novo programa de negócios divulgado nesta sexta-feira, mas aumentou significativamente os investimentos em exploração e produção no Brasil.
Os investimentos totais previstos no Plano de Negócios e Gestão 2013-2017 somam 236,7 bilhões de dólares --maior programa empresarial de gastos do mundo--, ante 236,5 bilhões de dólares estabelecidos no plano de 2012-2016.
Deste total, o segmento de Exploração & Produção (E&P) receberá 147,5 bilhões de dólares e, diferentemente do plano anterior, os recursos serão direcionados exclusivamente para o Brasil. O objetivo, segundo a empresa, é a "manutenção das metas de produção de óleo e gás natural".
Além disso, a companhia afirmou que o programa não incluiu novos projetos, "exceto para a exploração e produção de óleo e gás natural no Brasil".
O aumento dos investimentos em E&P ocorre antes da retomada dos leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no país, prevista para este ano, após a ausência de licitações no setor desde 2008.
O segmento de E&P continua respondendo, de longe, pela maior parte dos recursos, com 62 por cento do total a ser investido no período de 2013-2017.
No plano anterior, para o período 2012-16, a estatal previa investimentos totais em E&P de 141,8 bilhões de dólares, sendo que 131,6 bilhões dólares no Brasil --com expectativa de vender ativos no exterior, os investimentos externos nessa divisão foram reduzidos.
PRODUÇÃO
A meta de produção de petróleo e gás foi mantida, com expectativa de que em 2016 chegue a 3 milhões de barris de óleo equivalente/dia no Brasil, ante os 2,36 milhões de barris de janeiro. Para 2017, esse volume deverá subir para 3,4 milhões de barris (com 35 por cento tendo origem no pré-sal). E, para 2020, a extração está prevista para subir a 5,2 milhões de barris.
A área de Abastecimento, que tem sido o foco de perdas da Petrobras, em função da crescente importação de combustíveis a valores mais altos do que os de venda, segue sendo a segunda mais importante dentro da companhia, com investimentos previstos de 64,8 bilhões de dólares, ante 65,5 bilhões de dólares no plano anterior --item definido pela estatal no plano anterior como Refino, Transporte e Comercialização (RTC).
A área que sofreu maior redução de investimento no novo plano foi a de Gás & Energia, com queda de 28,3 por cento na comparação com o anterior, para 9,9 bilhões de dólares.
A área de biocombustíveis receberá 2,9 bilhões de dólares no período, queda de 23,7 por cento ante o plano anterior.
A carteira de projetos em implantação corresponde a 207,1 bilhões de dólares, contemplando todos os projetos já contratados e todos os de Exploração & Produção no Brasil.
A carteira em avaliação, com investimentos previstos de 29,6 bilhões de dólares, engloba projetos dos demais segmentos que atualmente se encontram em fase de identificação de oportunidade, projeto conceitual e projeto básico que, para migrar para a carteira em implantação, precisam confirmar viabilidade técnico-econômica.
DESINVESTIMENTOS
A Petrobras também informou que os desinvestimentos serão menores no novo plano, somando 9,9 bilhões de dólares, que devem ingressar no caixa da Petrobras principalmente em 2013.
A estatal desistiu de vender alguns ativos por conta do cenário econômico desfavorável, disse uma fonte da empresa à Reuters na condição de anonimato, e por isso houve redução na previsão de desinvestimento, que no plano anterior chegava a 14,8 bilhões de dólares.
FINANCIAMENTO
A Petrobras afirmou em nota que os recursos necessários para o financiamento dos projetos em implantação serão provenientes da geração de caixa operacional (164,7 bilhões de dólares), uso de caixa excedente (10,7 bilhões de dólares), desinvestimentos e reestruturações financeiras (9,9 bilhões de dólares) e captações (61,3 bilhões de dólares "bruto" e 21,4 bilhões de dólares "líquido").
"Em 2013 haverá a combinação de maior investimento anual com menor geração operacional de caixa no período, situação que será revertida durante o período do Plano de Negócios e Gestão (PNG), com o fluxo de caixa livre, antes dos dividendos, se tornando positivo a partir de 2015", disse a empresa.
A companhia destacou que o aumento da geração de caixa devido ao crescimento da produção e da maturação dos investimentos reduzirá a necessidade de captações ao longo do período 2013-17, tendo impacto no endividamento.
"A expectativa é que em 2017 a Companhia esteja apresentando uma geração operacional de caixa em torno de 50 bilhões de dólares por ano", disse a estatal no documento.
A empresa também se comprometeu a manter a alavancagem financeira dentro da meta de 25 a 35 por cento no período, sem ultrapassar o limite de 35 por cento, e encerrando 2017 em 27 por cento.
Além disso, previu que o indicador dívida líquida/EBITDA retornará, a partir de 2014, ao limite definido de até 2,5 vezes, caindo para 1,65 vez em 2017.
O índice de dívida líquida/Ebitda ajustado subiu ao fim de 2012 para 2,77 vezes, ante 1,66 vez no final do ano anterior, alta de 67 por cento, levantando preocupações sobre o grau de investimento da empresa.
"A Companhia mantém seu compromisso com o investment grade e com a não emissão de ações", acrescentou.
(Reportagem adicional de Jeb Blount)
Petrobras investirá US$236,7 bi até 2017, com foco em produção
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